terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Entrevista de Sócrates

Por momentos, apeteceu-me penetrar o ecrã da televisão e ir, eu própria entrevistar o nosso PM. Se ele me estava a irritar por fugir às questões e aprofundar explicações que ninguém queria ouvir de forma a fazer uma espécie de propaganda ao governo, também me corroía por dentro o facto de os dois entrevistadores continuarem tão serenos, fazendo as perguntas que Sócrates queria ouvir e sem ir ao cerne das questões. Ora, se Sócrates fala nos fantásticos postos de trabalho que criou, por que não lhe perguntam nada sobre como é que, então, o desemprego aumentou? Se Sócrates fala no quão maravilhosamente as suas reformas estão a ser aplicadas e em quão mais poupado e organizado está o nosso país, por que não lhe perguntam nada sobre qualidade de vida dos cidadãos portugueses individualmente?
O Primeiro-Ministro levou a lição bem estudada. Falou o mais que pôde, para evitar constrangimentos, e só se tornou mais tímido quando confrontado com os papéis de engenharia que assinou... "não perco tempo com essas coisas", afirmou. Mas não era ali que ia perder tempo! Porque os jornalistas perdem tempo com essas coisas. E é a perder esse tempo que ganham. Porque os portugueses querem saber dessas coisas. O senhor Primeiro-Ministro não perde tempo a dar explicações sobre os casos ilícitos em que se vê envolvido. Mas perde tempo e faz perder o tempo de todos os que assistem às suas entrevistas com auto-elogios e críticas às supostas demagogias da oposição de forma demagógica. É que foi nisto que se baseou a entrevista.


"Qual é o balanço que José Sócrates faz dos seus três anos de Governo, que se cumprem amanhã? Positivo, muito positivo. Que imagem tem o primeiro-ministro da sua acção e das suas políticas? Reformistas. Alguma coisa correu mal? Não, tudo correu lindamente.
Este é o resumo da entrevista que José Sócrates deu hoje à noite na SIC."
(Luciano Alvarez, in Público - 18/02/2008)



Recandidate-se, senhor Primeiro-Ministro. Recandidate! Essa moral e essa confiança já são um passo importante para a sua recandidatura. Não lhe prometo é que não tenha dissabores...

3 comentários:

Dúbia disse...

Ah, mas aquilo era uma entrevista? Pensei que fosse daquele tempo de antena das campnhas eleitorais... não era??? aiiii

Jeremias disse...

Ao ver e ouvir a entreviste do PM de alguns portugueses, deu-me uma uma revolta e uma vontade enorme de ouvir as sempre "belas" e "revolucionarias" músicas do Grande Zeca...
"O que faz falta é animar..o que faz falta é dar poder a malta"
"O povo é quem mais ordena"...etc!
É cada vez mais este um governo, sem preocupações sociais, o que interessa é o défice, se o povo vive bem ou mal isso que se fo***, o que interessa é entregar serviços aos privados, encher os bolsos do bancos das seguradoras... isso sim!
Devo dizer que tenho cada vez mais dificuldades em olhar para aquele senhor e admitir que é o Pm do país que tanto gosto!

i disse...

eu não consigo ver, porque não pude estar em casa =/ mas tb já percebi q nao se perdeu mto. não deixei claro, de ler o luciano alvarez no dia seguinte e todos os comentários que se seguiram. Parece unanime q foi uma entrevista propaganda, em que o primeiro-ministro decidiu intimidar os jornalistas e estes não se souberam impôr