segunda-feira, 10 de março de 2008

Sou…

Sou a presa perseguida pelo caçador.

Sou a escrava vendida ao outro senhor.

Sou a refém para resgate do criminoso.

Sou a refugiada de um país pantanoso.

Sou a formiguinha que obedece à rainha.

Sou a cabra-cega que não vê onde caminha.

Sou a inocente condenada à prisão.

Sou a religiosa durante o Ramadão.

Sou a ave no Verão sem nada para beber.

Sou a pobre mendiga sem nada para comer.

Sou a assaltada que acabaram de roubar.

Sou a forasteira que anda à procura de um lar.

Sou a miserável a quem o dinheiro some.

Sou a manifestante em greve de fome.

Sou a vagabunda que expulsaram do hotel.

Sou a namorada ansiosa pelo anel.

Sou o rio sem leito, sem água a correr.

Sou a maluquinha difícil de perceber.

Sou a sobredotada reprovada na escola.

Sou o ladrão coxo sem conseguir dar à sola.

Sou a artista frustrada que ninguém admira.

Sou o eterno apaixonado pela casada Alzira.

Sou o gordo gozado por todos os colegas.

Sou quem prova as comidas que já estão azedas.

Sou o estrangeiro que não sabe a linguagem.

Sou o mensageiro que perdeu a mensagem.

Sou o operário que perdeu o trabalho.

Sou o único macaco que não tem galho.

Sou a multada por excesso de velocidade.

Sou o aldeão que nunca entrou na cidade.

Sou o drogado sem droga p´ra consumir.

Sou a perseguida que continua a fugir.

Sou o intelectual que ficou sem resposta.

Sou o jogador de poker que perdeu a aposta.

Sou o santo que não foi beatificado.

Sou o vencedor nunca homenageado.

Sou o prato da ementa que não levou sal.

Sou o acusado num processo de tribunal.

Sou o tímido corado perante a multidão.

Sou o trabalhador agora sem profissão.

Sou a criança a quem não compram o brinquedo.

Sou o noctívago que amanhã acorda cedo.

Sou a peça de roupa que já perdeu a cor.

Sou o coração onde não mora o amor.

Sou o motorista que não sabe o caminho.

Sou o alcoólico que já bebeu todo o vinho.

Sou o morador restante da ilha deserta.

Sou o café sem cafeína que não desperta.

Sou a maçã solitária que ninguém apanhou.

Sou o órfão p´ra adopção de quem ninguém gostou.

Sou o telemóvel que ficou sem bateria.

Sou a que ficou a tirar a fotografia.

Sou a útil inútil inutilizada.

Sou a pedra que te fez tropeçar na calçada.

2 comentários:

Unknown disse...

dasse, vai lá vai isso deve ser falta de trabalho!

Anônimo disse...

és mta coisa!!! isso até serve pó cv! =P